terça-feira, 8 de maio de 2012

Oposição vence eleições nas Bahamas

                                         
      O Partido Liberal Progressista (PLP) consolidou ontem uma das maiores vitórias eleitorais na história das Bahamas, tomando o poder das mãos do conservador Movimento Nacional Livre (FNM). Com o recorde de eleitores (número não divulgado), o partido esquerdista liderado por Perry Christie garantiu 29 assentos dos 38 disputados no Parlamento - 20 deles na região New Providence, onde se situa a capital Nassau. A surpresa decepcionou o derrotado partido de situação, FNM, que precisou se conformar com apenas nove posições no poder.
     Como consequência da futura mudança no poder das ilhas Bahamas, o (até então) primeiro ministro, Hubert Ingraham, renunciou a liderança de seu partido (FNM) após quase 30 anos de exercício político - 15 deles como primeiro ministro de 1992-2002 e de 2007-2012. Após a "derrota vergonhosa" admitida, o candidato preferiu desistir a ser minoria no Parlamento. "Devo voltar agora para minha vida privada de onde eu vim", afirmou.
      Durante a campanha política, o FNM tentou convencer o eleitorado a mais um voto de confiança, alegando que o governo seria reconstruído nos próximos anos. Mas os bahamenses  votaram pela mudança. Fatos como a alta taxa de desemprego (15%), a economia enfraquecida e o recorde de 127 assassinatos no país no ano passado justificaram a massiva vitória do PLP. Em evento comemorativo, ontem, o líder Perry Christie agradeceu os votos, admitindo que as eleições  foram "amargamente" disputadas. "Agora que acabou, chegou a hora do trabalho duro, da cura nacional para as ilhas Bahamas", proclamou o novo premiê.
      Entre as promessas do PLP (cujo líder já esteve no poder de 2002 a 2007) estão o reforço à economia e o aumento do investimento em educação e formação. Além do compromisso em baixar a taxa de desemprego, o partido visa proteger as fronteiras nacionais a fim de acabar com o tráfico humano, a imigração ilegal e o contrabando de armas e drogas, o que contribuiria para um arquipélago mais seguro.
     

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Eleições nas Bahamas 2012


     Hoje é o dia tão esperado pelos bahamenses e partidos candidatos às eleições nas Bahamas. De uns meses para cá, o que não faltou foi festa, propaganda e muita gente engajada, vestindo camisas e carregando nos carros bandeirinhas dos dois maiores partidos em disputa - o Partido Liberal Progressista (PLP) e o Movimento Nacional Livre (FNM). Hoje, muitos bahamenses tem folga ou trabalham somente um turno, o que talvez vai propiciar uma maior quantidade de eleitores. Como o voto é facultativo no país, até supermercado já estava dando desconto para quem estivesse trajando camisa de partido ou apresentasse seu título de eleitor no caixa. Engraçado, não? Só podia ser em Nassau!

sexta-feira, 23 de março de 2012

MIXDICA TuneIn: mais "mixculti" não existe!

Poucos anos atrás quem poderia imaginar a idéia de ouvir rádios de todo o mundo? Pode até parecer impossível, mas o aplicativo TuneIn mostra que a globalização realmente não tem limites. Disponível para smart phones, Ipods, Ipads e Iphones, entre outros, o aplicativo sintoniza mais de 50 mil estações de rádio do Hawaí a Tóquio, sem custar um centavo. Além de variados estilos de música - que por sinal, também podem ser escolhidos por região ou país - a novidade permite descobrir muitos programas de esporte, política, shows ao vivo e notícias em diferentes idiomas do globo. E o mais interessante, fora tudo isso, é a possibilidade de criar playlists bem legais, e até gravar músicas que nunca pensamos em ouvir um dia. Fascinante, não!? O mixculti se apaixonou! ;)

Para saber mais, visite http://tunein.com/

quinta-feira, 15 de março de 2012

MIXOPINION: ARE WHITE LIES REALLY A BRAZILIAN TRAIT?



     By reading the Helen Joyce's article ("Which is the best language to learn"), an expression  called my attention. "White liars" was used to describe us, Brazilians. "Mentirosos brancos". I was shocked. After understanding the expression in English, it became evident. Even if I wanted, I wouldn't have chance to deny. The "white lie" is really part of our culture; generally we aren't practical, nor direct and most of the time we speak something just to speak, by intending only to count on easier, more favouring and/or comfortable situations.
     Whoever doubts that, for sure is already lying. How many times have we met somebody and said "ah, we have to get together, drink something", "I am gonna call you" or "come to my place", even if actually it was more than clear that nothing of that sort was going to happen?! My husband - who is Swiss - was often confused, without understanding what was going on in Brazil. Where he lived, he's heard a set of ten times some of these blahblahblahs, and nothing ever happened. Very different from Switzerland: there, when someone says he's going to call you, he does; when a date or something is fixed, it really happens. Actually, without any problem those that someone want to be invited are. And something fixed for 8h, for example, is not going to take place at 9, 10h...
    In fact, we know our people. The brazilian normally gets offended for very little things, he is proud. It doesn't exist in Brazil to invite someone to a party, and a friend of this person do not to be on the list. Otherwise a fight or something happens for sure. One day I had a discussion with my mother, she was lying for nothing, small things; she was not able to say "no" to others. She justified it afterward that she was just avoiding stress with people.
     Ok, but what to do then? In a society where very few people are sensible, to be direct is almost impossible. Although very creative, the brazilians aren't always successful in their communications. Instead of being practical, we rather "let the life take us", which is in some way positive, but on the another side it can make things more difficult or complicated. We end up just searching for other ways. Facing requests, it's very difficult for us to deny, to say "sorry, I am not able to do it". In this case it's just easier to disappear ( by "giving a cake" in our language) or creating a "white lie". By the way, who has never framed a small lie to escape from a problem?
     The thing is, as the lie, the small lie has also "short legs" (in Portuguese it's like saying "the lie cannot go so far"). As proof, the foreign writer described quite well the famous white liar. In this case, a frivolous and shameless lie that is not a big deal, just a Brazilian trait. But what could be funny and easygoing, can also worry; such a characteristic associates us with unreliable people, besides raising objections to solid friendships. Because it's a custom and unconsciously connected with our behavior, we can even believe nobody notices it. In the end, who cares if someone else sees us this way or it gets boring for us? Afterwards we can invent something to apologize, no!? ;)

PS. This is the first article in English at Mixculti. Please give your opinion.
PSiu! Para ler em português o mesmo texto, veja abaixo. 

E para ler o texto da colunista Helen Joyce (que citou a tal "white lie"), clique no link:

http://moreintelligentlife.com/content/ideas/helen-joyce/brazilian-portuguese-best-language 


domingo, 11 de março de 2012

MIXOPINIÃO Jeitinho brasileiro: a tal "mentira branca" está mais que enraizada na nossa cultura

   
     Ao ler o artigo abaixo da Helen Joyce ("Qual a melhor língua para aprender"), uma expressão  utilizada para nos descrever me chamou atenção. "White liars"*. Tomei um susto. Fomos chamados ao pé da letra de "mentirosos brancos". Após entender a expressão em inglês, a quase ofensa se transformou em evidência. Mesmo que eu quisesse, não teria como negar. A tal mentirinha faz mesmo parte da nossa cultura; geralmente somos pouco práticos, nem um pouco diretos e muitas vezes falamos algo só por falar com o intuito apenas de dispor de situações mais fáceis, favoráveis e/ou confortáveis.
    Quem duvida disso, já está mentindo. Quantas vezes já encontramos alguém, e falamos, "ah, vamos combinar para tomar algo!", "vou te ligar" ou "passa lá em casa", mesmo quando na verdade estava mais que claro que nada disso iria acontecer?! Meu marido - que é suíço - ficou muitas vezes sem entender o que rolava no Brasil. Onde morou, escutou dezenas de vezes uns blablablas como esses e nada aconteceu. Diferente da Suíça: quando alguém fala que vai ligar, liga; quando marca para aparecer, aparece. Na verdade, lá se convida quem se quer convidar. Algo marcado pras 8h, por exemplo, não acontece lá pras nove ou dez...
    O fato é que a gente já conhece nosso povo. O brasileiro se ofende por muito pouca coisa, é orgulhoso. Não existe no Brasil você convidar alguém para uma festa, e outra pessoa amiga  ou conhecida desse convidado não estar na lista. Daí é briga na certa. Certo dia tive que chamar atenção  da minha mãe, ela estava mentindo por nada, bobeirinhas, não conseguia falar "não"; depois me justificou que era para evitar estresses com as pessoas. 
    Mas também fazer o quê? Numa sociedade onde poucos têm senso, é quase impossível ser direto. Apesar de muito criativos, os brasileiros nem sempre tem êxito em suas comunicações. Ao invés de  sermos práticos, preferimos "deixar a vida nos levar", o que em certo ponto é positivo, mas por outro lado, pode ficar muito mais difícil ou complicado. Acabamos buscando outros caminhos. Diante de um pedido, é muito difícil para gente negar, dizer que "não vai poder fazer". Mas fácil nesse caso é "dar um bolo", não aparecer ou inventar um imprevisto. Por falar nesse último, quem já não criou uma mentirinha para se sair de um problema?
    Acontece que, como a mentira, a mentirinha também tem perna curta. Prova disso, a autora estrangeira conseguiu definir muito bem a mentira branca brasileira. A tal mentira fútil  e sem vergonha que não é grande coisa, mas faz parte da nossa rotina. O que chega a ser engraçado, descontraído também preocupa: a tal característica nos associa à pouca confiança, além de dificultar amizades sólidas. Por questão de costume e por estar inconscientemente ligada ao nosso comportamento, podemos pensar que o hábito passa despercebido. Mas a quem interessa se alguém notar ou ficar "chato"? Depois a gente inventa algo para pedir desculpas, não?! ;)

White liars: mentirosos brancos


sexta-feira, 9 de março de 2012

MIXINTERESSANTE: Which is the best language to learn?

  Qual a língua que mais vale a pena investir no mundo de hoje? Hummm parece ser o português. O tal do brazilian portuguese. De acordo com o site More Intelligent Life - versão online da revista de cultura Intelligent Life (The Economist) - imensidão em área, maior floresta do mundo, bom momento econômico, tempo maravilhoso, praias lindas e muita gente bacana (e mentirosa!) para praticar a língua estão entre os motivos que fazem do nosso idioma uma "escolha racional".

                                    

;)

If you want a decent return on your investment, says Helen Joyce, the best language to learn is Brazilian Portuguese...
Some lunatics learn languages for fun. The rest of us are looking for a decent return on our investment. That means choosing a language with plenty of native speakers. One spoken by people worth talking to, in a place worth visiting. One with close relatives, so you have a head start with your third language. One not so distant from English that you give up.
There really is only one rational choice: Brazilian Portuguese. Brazil is big (190m residents; half a continent). Its economic prospects are bright. São Paulo is Latin America’s business capital. No other country has flora and fauna more varied and beautiful. It is home to the world’s largest standing forest, the Amazon. The weather is great and so are the beaches. The people are friendly, and shameless white liars. You’ll be told “Your Portuguese is wonderful!” many times before it is true.
You won’t need a new alphabet or much new grammar, though you may find the language addicted to declensions and unduly fond of the subjunctive. You’ll learn hundreds of words without effort (azul means blue, verde means green) and be able to guess entire sentences (O sistema bancário é muito forte: the banking system is very strong). With new pronunciation and a few new words you’ll get around in Portugal and parts of Africa. If you speak Spanish, French or Italian, you’ll find half the work is already done — and if not, why not try? With Portuguese under your belt you’ll fly along.
Best of all, you’ll stand out. Only about 10m Brazilians have reasonable English, and far more Anglophones speak French or Spanish than Portuguese, of any flavour. I did not choose this language; it was thrust on me by the offer of a job in São Paulo. But when I think of my sons, now ten and five, one day being able to write “fluent Brazilian Portuguese” on their CVs, I feel a little smug.

Helen Joyce is The Economist's São Paulo correspondent

http://moreintelligentlife.com/content/ideas/helen-joyce/brazilian-portuguese-best-language

P.S. Muito legal! Thank you, I felt also a little "smug", Helen Joyce.


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

MIXVIAGEM ::::::::: Liberdade: o ponto forte de Eleuthera

    Calmaria, simplicidade, charme e uma magia especial. Tudo isso chega perto de traduzir a beleza de Eleuthera, ilha situada a 60 milhas da capital bahamenha Nassau e a 200 da Flórida. Nomeada pelos gregos de "Liberdade", Eleuthera reúne todas as maravilhas de um paraíso, oferecendo ao turista muitas opções de restaurantes, pousadas e atividades como mergulho, golfe, surfe, pesca e snorkeling, entre outras, distribuídas em seus coloridos corais. O povo dali é simplesmente "friendly"; aliás, a receptividade de Eleuthera é só o que completa o sentimento de renovação de quem está no paraíso. Dá até para ter a certeza de que todo mundo ali é livre de verdade.
    Desculpem tanta paixão, mas é que realmente Eleuthera é um lugar indescritível. Nada demais não, fora a areia pink e branquinha de Harbour Island e a famosa "Ponte Janela de Vidro" que separa o Mar azul turquesa do Caribe e o a água azul-marinho do Atlântico, que são sensacionais. Para quem dirige na ilha, é desnecessário ter um mapa: existe apenas uma rua reta que (com trechos complementares marítimos - lancha ou ferry boat) se chega aos lugares bem conhecidos como Spanish Wells, Harbour Island, Gregory Town, James Cistern, Rock Sound e Bannerman Town.
    Com a população de pouco mais de onze mil habitantes, Eleuthera é onde diferentes gerações bahamenses tem plantado abacaxis, e é claro onde também se comemora o "Pinneaple Festival" em junho de cada ano, em Gregory Town. Antigamente Eleuthera era chamada de Citagoo Island; em 1600 marinheiros das Bermudas desembarcaram ali a procura de prosperidade. Hoje Eleuthera tem sua fauna e flora protegidos com ajuda da ong "The Nature Conservancy" e de seus amantes, que se unem no compromisso de manter  para sempre a ilha como o pequeno pedaço de paraíso na terra.

PS. Ainda não conheço muitas ilhas nas Bahamas, mas posso dizer que Eleuthera é o lugar.

                             Atlântico X Caribe: Ponte Janela de Vidro

PS. Dica de paraíso: www.cocodimama.com

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

MIXOPINIÃO Facebook: "depois de 750 milhões de pessoas, resolvi entrar"

      Já perdi as contas de quantas vezes precisei responder, quase encabulada, "vivo em outro planeta". Tanto na Suíça, quanto nas Bahamas - e principalmente no Brasil - quem ainda não resistiu aos encantos da maior rede de relacionamentos do mundo deve entender a minha resposta nas inúmeras vezes que tentei "quebrar o gelo" e disfarçar o assunto num grupo, em que de certa forma estava excluída. Sim, porque não fazer parte hoje do Facebook é quase que estar fora da vida social. Ou até mais que isso: é não parecer legal, não ter "amigos", estar fora de moda e optar por um tal de ostracismo mais por fora ainda.
    Totalmente "out". Foi assim que me senti, enquanto resistia e recebia aos poucos mensagens de uma certa hipnose pela rede, bem similar àquelas de propaganda "compre, compre, você precisa, você tem que me comprar". Segundo meus princípios, não tinha porquê aderir a idéia, afinal tenho contato com todos os meus amigos, não estaria "precisando" encontrar outros mais, nem estaria à vontade de mostrar minha vida a todos. Acontece que fui levada a repensar. Andei percebendo que até emails alguns amigos já não respondiam mais, e quando os reencontrava e perguntava o motivo do sumiço, rapidamente precisava usar minha resposta-chave: "você tem facebook?". Moral da história: email nesse caso já estaria quase ultrapassado, em desuso. Impressionante.
    Mais interessante ainda é a velocidade em que a rede social se alastrou pelo mundo. De 2004 para cá, o website de Marc Zuckerberg já alcançou a marca de 750 milhões de usuários, sendo o site mais acessado do mundo (com mais de 65 bilhões de visualizações mensais). O fenômeno mudou toda a forma de comunicação, tanto pessoal quanto no sentido de comunidade. A tecnologia evoluiu demais. Como consequência, concedeu às redes - nesse caso ao "facebook" - um poder inimaginável de manipulação. E isso é o que sempre tive o maior receio e respeito. Afinal, os robôs do Facebook são capazes de tudo: editar, ignorar, deletar, além do pior na minha opinião, rastrear você.
     Mas tudo bem, isso não é o maior medo do homem moderno. Ficar sozinho talvez seja maior que isso. É compreensível como um membro passa em média 750 minutos por mês curtindo a rede. A verdade é que é gostoso e viciante o "negócio". Tenho que admitir: estou a-man-do o facebook e adorando reencontrar pessoas que fizeram e fazem parte da minha vida, curtir a velocidade da informação e "bisbilhotar" a vida alheia de vez em quando. Rapidamente eu, como qualquer pessoa, vou chegando perto da média de amigos (são 135 por pessoa)...quantos amigos, não?!
    A verdade é que a comunicação moderna - rápida e superficial - cabe perfeitamente em nosso mundo. Hoje, com mais de 7 bilhões de pessoas no globo, poucas pessoas lamentavelmente querem ou tem tempo para se relacionar de verdade.  Passeios, fotos bacanas, viagens, pensamentos em um click: o facebook para muitos é como um showtime sem fim. E parece estar exatamente aí a chave do sucesso. Legal, divertido, fácil, mas baseado também na "liberdade" do desejo de como cada um quer se ver. E, é claro, como também de ver o outro e se mostrar.

P.S.: E não esqueça: "Like me on Facebook".

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

MIXOPINIÃO: A sorte de cada mulher no mundo

   Outro dia conversando sobre como "é duro" ser mulher, suas funções dentro da sociedade - desde conflitos de maternidade, carreira, casamento àqueles complexos de independência, entre outros - pensei em como a educação influencia o caráter e a personalidade de nós, mulheres. Quando se vê mulheres submissas, desleixadas, caprichosas, fúteis, outras que falam pelos cotovelos, algumas que respondem pelos maridos e também aquelas que nem precisam deles, pode-se até dizer que elas já nasceram assim com tal personalidade. Tudo bem. Mas com certeza algo nelas tem origem nos seus pais assim como também na sociedade.
   Partindo dessa hipótese, como vivem então as pobres mulheres de Cabul, acostumadas a usar meios de transporte como ônibus, onde somente aos homens cabe a prioridade de se sentar? O que deve passar pela cabeça das crianças que convivem com a realidade da violência familiar e testemunham a luta incessante de suas mães para camuflar suas belezas e personalidades na tentativa de viver em paz? Indicado pela revista Newsweek como o segundo pior país do mundo para mulheres, o Afeganistão conta com a maior taxa de mortalidade materna do mundo - sendo que 85% das mulheres dão à luz em pleno século 21 sem sequer assistência médica. Incrível, mas infelizmente realidade.
  Dos dez países indicados na mesma reportagem, a África detém os sete piores para o gênero feminino. Chade é o país que bateu o recorde, onde as "pobres-coitadas" não usufruem de quase direito algum, e ainda são obrigadas ao matrimônio na faixa de 11 anos de idade, dentro daquele padrão de 500 anos atrás - homem "podre" que chega com fome de sexo no tal casamento e a menina "fresquinha" apavorada. Em regiões desse mesmo continente, estatísticas apontam quase 99% de mulheres infectadas pelo vírus HIV. Quando nos damos conta disso, é impressionante como em tantas partes o mundo ainda se revela tão primitivo.
   No Brasil temos sorte. Apesar de conviver com um machismo quase que intrínseco, geralmente as mulheres são lutadoras, tem "sangue quente" e dão conta do recado. Nós, mulheres brasileiras, somos bonitas, temos raça e por todo o mundo somos conhecidas - ainda que às vezes pejorativamente - por esses aspectos. No nosso país, até a posição principal de presidente agora está ocupada por uma mulher. Isso tem um peso, e importa muito, principalmente ao resto do mundo que sempre enxergou nosso país como o paraíso dos machos. Vamos pra frente.
   "Aproveitando a deixa", não vou deixar de relatar minha opinião sobre o que é ser mulher na Suíça - que aliás ficou em sexto lugar na tal pesquisa como um ótimo país à classe. Ainda que tenham conquistado tardiamente o direito de votar (1971) e recentemente (2005) a licença-maternidade, as mulheres suíças conquistam cada vez mais espaço na vida política do país: dos sete ministros do governo federal atualmente, por exemplo, quatro são do sexo feminino. No país helvético, a mulher tem seu lugar, e esse lugar é alto. Como mulher, posso dizer que sempre me senti muito livre na Suíça. Lá podia estacionar, dirigir, pegar ônibus, ir de trem, caminhar sozinha, chegar tarde em casa, tudo isso sem medo. Na Suíça ainda existe o precioso e raro direito de ir e vir. Pena que nem todo lugar tem essa sorte. :O

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

MIXOPINIÃO: "Nine eleven"

O dia que marcou o mundo virou até "desculpa"

   Não é por questão de crítica ao país dos outros não, sou baiana e conheço muito bem como o serviço brasileiro às vezes "cansa nossa beleza". Mas o que aconteceu aqui em Bahamas na semana passada eu vou ter que registrar. Encomendei uma cortina, que custava 49 dólares no site Amazon dos EUA; com o transporte de Miami para Nassau, a mesma passou a custar três vezes mais: serviço de shipping, despachante, imposto. OK. Mas o pior não foi isso, e sim a demora. Passei mais de sete horas para ter a mercadoria nas mãos. Isso porque não foi uma empresa qualquer não, de beira de porto. A empresa onde nunca mais pago um centavo é a Tropical Shipping - "líder de envio por via marítima para as Bahamas e o Caribe por mais de 45 anos", segundo próprio slogan da companhia.
   Quase não pude acreditar como um serviço poderia ser tão primitivo nos dias de hoje, e olhe que estou acostumada com o Brasil - que muita gente classifica como "país de terceiro mundo" mas não é. As horas que desperdicei com a experiência só valeram para me ensinar a definição de "broker"  em inglês. Afinal não entendi a profissão de um senhor negro de idade que parecia beirar aos 90 anos, "caindo em pé", cheirando (para não maldizer "fedendo") a rum, fazendo mais de mil cálculos em vários papéis, com carbono, consultando num livro pesado e antigo (grosso que nem o Antigo Testamento) sobre os impostos. Eu, impacientemente esperando (e olhe que só tinha uma pessoa na minha frente!), fiquei curiosa sobre o que ele estava fazendo e tive que perguntar a recepcionista. "Desculpa, mas qual é a profissão dele?"
   Definida no dicionário como "agente", "corretor", a palavra broker cai bem para um tipo de despachante, que no caso (tirando parte da culpa da empresa citada) as Bahamas necessitam para calcular a taxa de imposto de produtos que entram no país. Mesmo depois de várias palavras que ele dirigiu a mim, explicando por que tinha cobrado 30% da minha cortina (que era tecido, que se fosse acrílico ou metal seria mais etc), não consegui entender o cálculo que ele fez e saí meio pirada. "Que p. é essa?" pensei, afinal não poderia levar minha encomenda logo, teria que pagar ali uma taxa e depois o imposto lá na casa da pqp (me desculpem os termos). Fala sério!
   Fui perguntar ao dito cujo - um branco - que tinha me atendido ao lado no balcão da Tropical, ele, covarde, ao invés de tirar minhas dúvidas, respondeu "senhora, ele é do governo, trabalha aqui, e todas as contas que faz são corretas, é isso mesmo". Melhor dizendo, falou que o problema era meu. Pois bem, minha dúvida era onde pagar a parte do governo da Bahamas. Ele me explicou - o broker também já o tinha feito - e eu não sabia onde era. Pedi o endereço. Ah, não tinha o endereço, claro! Achei que estavam brincando. Um segundo depois, quando paguei a parte da empresa, quem estava ao meu lado, perguntando meio grosseiro "A senhora entendeu agora?" Respondi que sim; daí o broker me disse que então eu lhe devia 20 dólares pelos "papéis". Tive vontade de brigar, mas já estava sem nervos, dei a ele o dinheiro.
   A parte mais tranquila foi pagar o imposto do país. Depois de rodar uma longa avenida, e me enrolar toda, consegui chegar no Departamento da Alfândega. Passei lá uns 20 minutos e paguei o tal do imposto. Aliviada no dia seguinte, praticamente abri a Tropical Shipping, cheguei às 8h da manhã, achando que ia ser rápido. Ledo engano. Encaminharam o meu carro para a zona onde ficam os cargos, onde precisei deixar minha identidade. Cheguei e um monte de homem sem o que fazer ficou me olhando sem dizer nada. Eu meio que gritei, "bom diaaaaa", onde é o escritório?". Passei e esperei em uns três escritórios, até que tudo fosse carimbado, confirmado e etc.
   No último, um homem me perguntou o que era. Depois se era pesado e como era a embalagem. Respondi, "se vocês que trouxeram, não sabem, quem dirá eu!" Só me faltava ter que ir procurar  sozinha  - ou pior, com um deles - naquele galpão o meu pacote...Passou uma meia hora (já eram quase 10h da manhã), ele trouxe minha cortina e disse que tinha que carimbar e olhar meu carro. E que além disso, eu teria que deixar na saída tal papel. Não acreditei. Daí perguntei, p. da vida: por que isso é tão complicado? Irônico - e sério - ele me respondeu. "Nine eleven. After that, ma'am everything is crazy!!!" Dá para acreditar?????


PS: A encomenda saiu no fim por quase 210 dólares (ou seja, mais de 300 reais). 57 Amazon (junto com entrega) + 90 da Tropical Shipping + 20 Despachante + 50 Imposto. Melhor nem me perguntar se gostei da cortina...


Em inglês:
"Nine eleven" - Onze de setembro

"After that, everything is crazy, ma'am" - Depois disso, tudo é louco, senhora!
"Broker" - corretor, agente